quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Arte de mim mesma


Lurdes Pereira - Redes Rudes

Dedico parte da minha vida àquela que é a mais difícil e mais simples de todas as artes – a cerâmica – mais simples por ser a mais elementar e a mais difícil por ser a mais abstracta. … de facto, esta forma de arte é tão fundamental, está tão intimamente ligada às necessidades mais elementares da civilização, que o génio nacional de um povo tem sempre de achar maneira de nela se exprimir. (1)
Tendo como suporte as técnicas utilizadas desde o período do Paleolítico Superior, procuro sempre o impossível, produzindo uma arte requintada mesmo com matéria-prima “grosseira”.
Da forma à cor, do brilho ao grotesco, Lurdes Gomes apresenta um modo de ver, simultaneamente perto do passado e do presente, de delicadeza e de brutalidade, de luz e de sombra. (2)
As artes do fogo assumem-se como uma surpresa entre o tosco e o requintado, entre o baço e o brilhante das altas temperaturas. A minha obra está recheada de história da cerâmica e da evolução das técnicas desde o Homem das Cavernas, passando pelo Neolítico, até chegar à actualidade.
Nas exposições que somam o meu curriculum, posso afirmar que sempre tiveram um pendor didáctico, do Paleolítico à actualidade fiz as deusas sonhar.
Hoje, para lá da forma, a obra tem nome ”RedesRudes” que é, simultaneamente, reflexo da minha arte e "uma projecção inversa de ti" (mim). (2)

(1) READ, Herbert, cit  in “Livro de cerâmica de Júlio Resende”, da Associação de Estudantes do Departamento de Artes Plásticas e Design da Escola Superior de Belas Artes do Porto.

(2) ALVES, José, arquitecto e artista plástico. In Livro de honra de Lurdes Pereira, referente à exposição de cerâmica no Museu do Vinho do Porto, 2010.